O Saci Pererê

Quem já viu o Saci? O moleque é negrinho, usa gorro vermelho sobre a carapinha e não larga seu cachimbinho. E tem uma perna só. Nem por isso é vagaroso. Ao contrário, pula daqui, pula dali, ei-lo no campo, na mata, nas fazendas. Parece estar em vários lugares ao mesmo tempo. E faz “artes”.

− Quem trançou a cauda do meu cavalo? – pergunta o peão intrigado.

− Quem tirou os ovos do minha da galinha preta? – pergunta zangada Dona Mariocota.

− Quem apagou a fogueirinha que fiz para esq2uentar meu almoço? – reclama o lenhador aborrecido.

Não é preciso pensar muito: foi o Saci! Lá vai o negrinho pulando, escondendo-se atrás dos arbustos que dele gostam, pois ele também, gosta deles. O peralta é amigo das árvores. Nunca se soube de maldade mesmo feita pelo Saci, Só travessuras. E ninguém pode reclamar de o ter visto maltratando as plantas ou derrubando um só galho na mata.

− Psiu! Escuta alguém que vai a cavalo pelo mato.

− Quem é você? – pergunta baixinho e grita:

− Quem me chama?

− Sou eu!…me dê um fumo pro pito!

Saci-Pererê assusta o viajante, que lá se vai cavalgando desaboladamente.

− Quero fumo pro pito… – insiste o danadinho mais adiante, deixando ver apenas a ponta do gorrinho e a fumaça do cachimbo quase apagado.

– Que remédio? Toma Saci! – grita o viajante, jogando-lhe fumo.

Rindo às gargalhadas, o Saci pega o fumo e some no mato, que o esconde. Vai pitando sossegadamente, sentado num tronco qualquer.

Mas pobre Saci! Amigo das florestas, vai ficando cada dia menos brincalhão. É que os homens derrubaram as árvores, queimam os campos, estragam a mataria… e os meninos, então? Às vezes soltam balões que incendeiam cafezais, transformam a cana em carvão e matam brotinhos novos das mangueiras, dos mamoeiros, das plantas todas que existem! Saci-Pererê tira o seu gorrinho e coça a carapinha, desacorçoado!

− Será que esta gente não sabe que assim acaba com as matas, as plantações, os roçados?

Mas se chove ou brilha o sol, vendo de novo a mata cheirosa e verde, o Saci esquece mágoas. Pulando numa perna só, de gorrinho na cabeça e pito na mão, lá vai ele!

– Quem foi que me ensinou errado o caminho para fazenda? – pergunta alguém no mato, olhando em torno, perdido. Quem seria?

Pudera! Andaram negando fumo ao Saci…

* Autor desconhecido

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Saci Pererê

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